... eu deveria ser feliz.
Há muito tempo eu luto contra isso, mas depois de ler um loongo post em um blog... creio que talvez, essa seja a hora de expor os fatos.
Por muito tempo eu adiei esse post. Dês dos meus 15... talvez 14 anos, quem sabe.
Eu, que tento ser aquela que escreve/fala o que pensa. Que se posiciona perante a sociedade, que defende seus ideais... que não liga para o que os outros falam/pensam dos meus atos.
E, acreditem, esse é um assunto muito dificil pra mim. Que eu guardei por tanto tempo por puro medo. Eu que lutei tanto pra esconder isso, por tanto tempo... e agora que eu quero falar, eu tenho medo.
Eu tenho medo de perder tudo o que eu consegui até agora.
E eu tenho muito a perder. Eu tenho tudo para ser a pessoa mais feliz desse mundo, e eu posso provar.
Diferentemente da minha irmã, que nasceu quando meus pais mal tinham onde cairem mortos, eu nasci em tempos já muito melhores, na melhor maternidade de São Paulo. Minha felicidade já deveria começar por ai. Nunca me faltou nada, sempre ganhei presente de dia das crianças, aniversário, natal, dia da mulher, dia dos namorados, e dia de nada. Estudei em boas escolas particulares dês do jardim de infância até a faculdade. Fiz ginástica olimpica, natação, vôlei, aikido, teclado, piano, inglês, japonês... Já tive cabelo liso, enrolado, ondulado, azul, verde, roxo, vermelho, pseudo-branco, castanho claro, médio e escuro, preto... Já usei óculos prateado, azul com prata, marrom avermelhado, roxo, preto com branco e vermelho com azul. Em meu guarda-roupa estão guardadas dês de calças de cetim vermelho à sobretudos de veludo até o pé. Tenho 3 cosplays e meu vestido de formatura foi feito sob medida à partir de um desenho que eu mesma fiz.
Em poucos dias, terei 18 anos. Mas ainda aos meus 17 anos, jah tive 2 notebooks, 5 celulares, 3 motos, já tenho um carro e vaga garantida na garagem.
Aos 7 anos, ganhei uma "casa com piscina, e não cachorro", mas depois também ganhei um cachorro. E por mais caro que seja pagar 200 reais num cloth myth, eu tenho 8 deles na minha prateleira. Ganho mesada dês de que eu me lembro... e sempre pude gastá-la com qualquer coisa que eu queira.
Conheço New York, Orlando, Miami, Montréal, Toronto, Ottawa, Paris, Barcelona, Roma, Milão, Veneza, Parma, Siena, Arezzo, Florença, Santiago, El Colorado, Vale Nevado e quase todo o Brasil.
Apesar da minha natureza anti-social e de nunca andar em grandes grupos dês de pequena, eu sempre tive gente ao meu redor com quem eu podia contar, apesar de não ter nenhum amigo que tenha sido "para a vida toda". Nos tempos de sabidinho *CCZ* a Carol... Nos primeiros anos de Sabin, Bianca. Depois Jihana por muito tempo... Gabi, Anna... Vic. Mas sabem... mulheres não são de confiança. Se nos tempos de Carol eu não tivesse o jef pra brigar, nos tempos de bianca o bruce pra zoar, nos tempos de jihana, o bruno... o nan.. o G... o que teria sido de mim?
Eu me lembro de ter duas amizades de verdade. Ana e gy ^^ porque com elas eu podia falar o que quizesse, sem ter que procurar outro alguém que possa ser de confiança. Foi então que aos meus 17 anos eu finalmente pensei "eu tenho uma amiga de verdade", me tornei uma MENK.
Apesar de não gostar da rotina... odeio grandes mudanças na minha vida. E a faculdade com certeza foi uma dessas "grandes mudanças".
Eu tive medo. Medo de perder a amizade que eu custei tanto pra conquistar. Medo de não ser aceita. Porque alguém que luta tanto para ser diferente do "convencional" tem medo de não ser aceita? Eu não deveria me preocupar com isso... Mas é muito mais fácil ser forte para sustentar seus ideais quando se sabe que as pessoas que importam.. sabem como vc é realmente, e não só montam uma imagem de você a partir o que elas vêem de lonje. E me surpreendi muito. Me surpreendi com a minha capacidade de me abrir para novas amizades, e me surpreendi com a rapidez com a qual eu fui aceita.
E cá estou eu. No segundo semestre do curso que sempre quis fazer. Já tenho bons amigos que se importam comigo e me aceitam desse meu jeito crica, reclamona, dark du mal, nerd e mal humorada. Tenho uma amiga de verdade que eu amo com todo o meu coração e que sei que posso sempre correr pra ela em momentos felizes ou críticos. Tenho pais que se preocupam comigo e uma irmã que me suporta e sempre faz as minhas vontades. E porque... eu não "sinto" a felicidade?
Porque que mesmo tendo um Macbook novíssimo na minha frente eu não senti a mesma alegria daquela vez que eu ganhei o meu primeiro videogame? Porque eu não sinto falta das pessoas? Porque eu saio com meus amigos e não estou contente quando volto pra casa?
Parece que... com o passar dos anos, eu me tornei uma pessoa fria. Que sorri sem um sentimento por trás disso, uma pessoa que simplesmente sorri. Quando foi que eu me tornei alguém que usa as palavras só por usar? Que diz ter saudades, sem realmente senti-la. Que diz "eu te amo" sem o coração bater mais forte.
Outro dia, alguém me disse algo que me deu vontade de chorar. Disse que gostava desse meu jeito de "não to nem ai pros outros". O que pra mim deveria ser motivo para sorrir e agradecer... mas me fez acordar. Me deu vontade de responder "mas você não acha que esse é um jeito muito triste de se viver a vida?" Mas eu ainda não tenho coragem de mostrar as minhas fraquezas diante dos outros. Agora mesmo. Estou aqui escrevendo... e fazendo força para as lágrimas não rolarem, pelo simples fato da minha irmã estar do outro lado da mesa. Ela está lá, totalmente absorta em seus próprios afazeres e nem repararia se uma lágrima ou outra escapasse, mas o meu grande e estúpido ego não permite que eu corra esse risco.
Engraçado... várias vezes por dia, quando estou sozinha, eu me pego chorando. As lágrimas fogem de mim, é inconsciente, não é algo que eu consiga controlar. E isso me faz mal. Me faz muito mal porque eu não consigo achar motivos para eu ser essa pessoa triste. Porque tudo.. tudo em volta de mim, aponta para a felicidade. Deve ser algum tipo de punição, algum castigo.
Eu que fui uma criança tão alegre. Radiante, de verdade. Era carismática, engraçada, cheia de energia... E agora... parece que eu sou o extremo oposto do que eu costumava ser... E quando eu tento voltar a ser daquele jeito.. eu me sinto mal, por estar representando à mim mesma, e não sendo o que eu realmente sou.
As pessoas mudam, eu sei disso. Toda criança é feliz... Mas porque me parece que os adultos são tão tristes? Tem dias que eu olho para os meus pais e... eles me parecem tristes. As pessoas não deveriam crescer.
Eu tenho medo de crescer. E por isso, com os meus 18 anos chegando e trazendo tantas responsabilidades junto com eles... eu achei que talvez essa fosse a minha última chance de dizer tudo isso que eu nunca tive coragem.
Eu queria me prender pra sempre numa infância feliz e não ter que me lembrar nunca mais do que as pessoas são capazes de fazer com a gente. Eu queria poder voltar a sentir a felicidade. Voltar a sorrir com alguma coisa verdadeira por trás. Queria esquecer de todas as vezes que eu quis abandonar a vida. Mas não tem espaço nesse mundo para pessoas como eu. É como... como tentar colocar uma peça de quebra cabeça no lugar errado. É preciso forçar a sua entrada... e mesmo depois que ela entra, ela não combina com as peças em volta.
Eu não queria ter me tornado quem eu me tornei. Que depois de tanto esforço para entrar num lugar que não era meu... Acabei me acostumando a ignorar as outras peças à minha volta.
Talvez se eu não tivesse me esforçado para conviver em sociedade eu não tivesse tido uma infância tão boa de se recordar... mas também não me sentiria tão culpada agora. Não direi culpada "por não ser feliz" ou "infeliz", porque eu não sou. Eu sou feliz, eu sei disso. Eu sei que sou. Eu TENHO que ser, porque não há motivos para ser o contrário. Mas... mesmo eu sabendo disso... não é assim que eu me sinto.
... Mas eu não me sinto "infeliz"... eu me sinto "triste". E sim, isso é diferente.
... eu não entendo... eu me sinto tão confusa... e assustada. E eu olho em volta e não encontro respostas... eu não sei nem explicar qual é o problema, por isso não há ninguém que possa me ajudar... por isso que eu estou sozinha. Essa é uma batalha minha, contra mim mesma, e não há quem possa me ajudar... ninguém DEVE me ajudar, porque isso não me ajudaria.
Mas eu não me sinto esperançosa como alguém que pode transpor esses obstáculos sozinha. Eu sou fraca, e eu nunca conseguirei me vencer, porque eu sou muito forte.
Na verdade, eu nem sei mais o que eu espero falando tudo isso agora. Eu nem sei se eu realmente quero que alguem leia isso... mas é como tirar um enorme peso das minhas costas... apesar do medo da reação que isso pode causar nas pessoas especiais para mim. Mas isso é o que eu sou, não tem volta.... Mas talvez tenha algum futuro.